Tuesday, October 4, 2016

Eu Era Moradora de Rua e Fui Estuprada. Minha Filha é a Luz Que Surgiu de Todo Aquele Horror, por Michelle Olson

Foi um dos períodos mais sombrios da minha vida – as relações com meus pais estavam atribuladas, tinha acabado de passar por uma péssima separação com o pai de meus dois filhos, fora traída por meus amigos e acabei nas ruas, na lista de espera para ser acolhida em um abrigo para moradores de rua. Eu não tinha mais nada e não sobrou ninguém com quem eu pudesse contar. Eu rezava para morrer logo. Em uma semana, em vez de morrer, eu fui estuprada.

Descobri que fiquei grávida ao ser estuprada. Tendo sido vítima de estupro várias vezes em
minha vida, eu conhecia o instinto de tentar tirar aquilo da cabeça: simplesmente não pensar sobre o que aconteceu. Ter uma barriga crescendo que me lembrava continuamente do estupro foi bastante doloroso no princípio, mas eu me forcei a lidar com a dor e tentar superá-la. Eu era muito emotiva, mas sabia que meu bebê precisava que eu enfrentasse a situação. Além disso, finalmente consegui uma vaga no abrigo.

Tentei ligar para uma agência a fim de colocar o bebê para adoção, mas não conseguia completar nenhuma ligação. A cada vez que eu tentava, eu chorava sem parar. Foi então que finalmente decidi ficar com meu bebê.

Ela tornou mais fácil superar o estupro. Ganhei uma menininha linda pelo que me aconteceu. Ela é meiga, amável e linda. Tudo o que passei não é nada se comparado à alegria que minha Alice trouxe para minha vida. Deus me deu um motivo para seguir em frente. Minha filhinha é meu milagre.

Meu doce anjo me ajudou de mais maneiras que eu possa contar. Ela faz o mundo um lugar mais bonito. Minha filha pode parecer um inconveniente para alguém que não a conheça, por ter sido concebida em situação de estupro e ser uma pessoa com deficiência. Porém, qualquer um que a conhece descobre o que é bondade e amor incondicional. Os vizinhos sorriem quando a veem e esperam pelos abraços.

Atualmente moramos no Texas, onde Alice faz fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional. Até o momento ela apenas recebeu o diagnóstico de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH ou Attention Deficit Hyperactivity Disorder - ADHD), mas ainda temos um longo caminho a percorrer. Ela é a menina doce que adora abraçar todo mundo que encontra. Nunca precisei ensiná-la a partilhar – ela é muito generosa por natureza. Eu amo demais a minha filha e já vi muitas vidas transformadas por causa da vida dela.

Devido a essa experiência, acabei adotando minha melhor amiga como minha mãe. E o mais interessante é que o filho único dela também foi concebido em situação de estupro. Ela tem sido fonte de conforto em todos os momentos e fica muito orgulhosa de chamar a Alice de neta.

Na verdade, tenho duas amigas muito próximas cujos filhos foram concebidos em situação de estupro, mas elas não falam disso. Uma tinha 16 anos e foi expulsa da casa dos pais por ter engravidado. Até que seu filho completasse 12 anos, ela não havia contado a eles que tinha sido estuprada pelo namorado. Fora estuprada antes e o pai estuprador a forçara a abortar quando tinha apenas 14 anos. Ela ainda se sente mal por causa disso, mas estava determinada a não fazer aquilo novamente quando engravidou de seu filho.

A outra fora estuprada quando estava na faculdade e não sabia que estava grávida até uma fase avançada da gestação. Ela disse que teria abortado naquela época se soubesse antes da gravidez. Chegou a pensar em colocar o bebê para a adoção, mas mudou de ideia. Ela nunca mais conseguiria completar uma gravidez depois daquilo. Quando o menino cresceu, ela decidiu ser voluntária em um centro de atendimento para gestantes em risco, e seu filho único foi a razão pela qual ela se tornou uma defensora da vida!

Se você também tem uma história como a nossa, saiba que não está sozinha, e espero que esse testemunho a encoraje.

Eu Fui Estuprada, Mas O Aborto Quase Me Destruiu -- Ashley Sigrest

Quando estava no ensino médio, eu fui estuprada.  Não contei a ninguém, estava assustada e tive medo de contar para minha mãe. 

Quando descobri que havia engravidado, contei a minhas amigas e todas me disseram para abortar. Na clínica de aborto, me abri e contei tudo o que havia me acontecido – que havia sido estuprada e que não tinha certeza se queria abortar; então eles apressaram um “aconselhamento” – um processo que consistia em um conselheiro varrendo minhas dúvidas e me apressando para assinar um formulário de consentimento. 

Ninguém nunca me ofereceu qualquer aconselhamento a respeito do estupro ou dos meus medos em relação ao aborto. Eu me sentia sem valor e desesperançada. Olhando para trás, eu queria apenas que alguém tivesse conversado comigo. 

O aborto quase me destruiu, entrei numa espiral de alcoolização e depressão e me dei conta que matei o meu bebê, a minha própria carne e sangue. Por anos me flagelei e não contei a ninguém. Não houve ninguém para me dizer que eu era forte o suficiente, ninguém para me ajudar. 

Conheci outras mulheres que como eu foram estupradas e escolheram abortar, e por isso vivem em remorso. Muitas delas sentem tanta vergonha e escolhem o aborto porque não conseguem falar sobre o que lhes aconteceu. 

Eu quero estar junto ao movimento pró-vida Save The 1 (Salve O 1 por cento -- Os Casos Difíceis) para ser uma voz para essas mulheres. 

Eu fiz o que o mundo me disse, eu abortei o filho do meu estuprador. Contudo, acabei matando o meu próprio filho. Eu não obtive os resultados que eles me disseram que teria.

Ashley Sigrest (EUA)


Save The 1

Sunday, September 4, 2016

Estupradas Durante Uma Viagem de Negócios, Meu Marido e Eu Escolhemos a Vida! -- Jennifer Christie

No último janeiro, eu estava viajando a trabalho numa pequena cidade universitária. Costumo dizer que sou bem atenta ao que acontece à minha volta, mas ventava e nevava tanto que mesmo que ele tivesse vindo pisando duro eu não teria ouvido. Tudo aconteceu muito rápido. Quando me virei para fechar a porta, lá estava ele, um homem gigante. Minha primeira reação não foi de medo, apenas fiquei confusa. Ele me deu um murro no rosto. Não me lembro de ter sido arrastada para fora do quarto, porém fui encontrada nas escadas. Não sei porque – talvez tivesse tentando fugir.

O kit de estupro veio negativo para HIV, gonorréia, clamídia, sífilis, herpes e várias outras doenças que nunca tinha ouvido falar. Deus é um Deus de graça.

Iria fazer uma viagem de navio no mês seguinte. Fui pega com diarréia um dia, mas no segundo dia tomando antibióticos não estava mostrando melhora alguma.

Quando o navio atracou em Cartagena, Colômbia fui levada diretamente ao hospital. Eu estava com medo de uma obstrução intestinal, tendo que então fazer um ultra som. Qual foi a surpresa? Viram um grãozinho de feijão – meu filho. Feliz Dia dos Namorados!

De volta ao navio, contei um resumo da minha história. Começaram a se preocupar comigo: provável suicídio? Perigo de um surto psicótico, além de ter que ir como se estivesse nua perante delegado e juiz? Na semana seguinte ouvi um grupo de médicos e enfermeiras muito “bem intencionados” me consolarem e dizerem como seria “fácil” resolver este problema – matar a criança e voltar a viver como se nada tivesse acontecido. Fácil???

Comecei a ligar para casa, devastada eu só chorava, mas a possibilidade de “me livrar disso” nunca saiu de minha boca, nem da boca de meu marido.

Quando eu contei que estava grávida, ele me respondeu com voz firme e calma: “OK. OK... tudo bem... isso vai dar certo. Eu então pergunto: “O que você quer dizer com está tudo bem? Quero dizer que vamos vencer esta situação, tudo bem. Além do mais, eu amo bebês. Vamos ter outro filho. É algo maravilhoso que veio de uma experiência horrível. Vamos vencer!” Comecei a sentir a alegria jorrar dentro de mim por esta nova vida que carregava em meu ventre, florescendo debaixo do meu coração. Este novo amor cresceria tão forte e promissor que sobrepôs qualquer rastro de angústia que ainda existia.
Além disso, meu marido estava certo: “Nós venceríamos essa”.

Na última vez que estive no navio, disse às estas pessoas cuidadosas: “Por favor, parem a pensar um pouco o que aconteceu comigo – tive um bebê lindo em outubro 2014. “A reação deles ... A expressão... A médica que forçou a barra para que eu abortasse – mais do que os outros tinha lágrimas nos olhos. Pela primeira vez entendi como Deus pode usar este pesadelo que enfrentei. “Usa-me Senhor”.

Moro na Carolina do Norte nos EUA. Meu obstetra que havia me acompanhado nas outras duas gestações, concorria ao Senado. Ele conversa o tempo todo sobre isso, quando as pessoas perguntam: “E em caso de estupro?” Meu filho poderá falar a respeito disso. Enquanto isso é minha responsabilidade meu privilégio – falar com ele. Esta é minha história.

Durante a gestação, tive que ser internada algumas vezes. Fiquei mais dentro do hospital do que fora, pois tive pré-eclampsia – pressão muito alta e contrações incontroláveis. Fiquei muito mal quando me disseram que teriam que induzir o parto na 26ª semana e eu queria muito que meu filho nascesse vivo.

Conseguimos superar o medo. Fiquei de repouso absoluto, mas pelo menos estava em casa. Cada semana era uma vitória e mal podia esperar para tê-lo em meus braços. Emocionalmente falando eu estava muito bem.

Tinha uma equipe médica enviada por Deus me acompanhando. Tudo é apenas uma questão de confiança.

Eu me sentia completamente fora do controle desde o acontecido em janeiro, apesar que a palavra “controle” não passa de uma ilusão, mas 8 ¹/² meses atrás meu mundo meio que desabou com aquele acontecimento e nada parecia estar certo até meu filho nascer. Não era tão mal assim. A situação me levou a ficar mais de joelhos, menos arrogante e só então tomei consciência disso.

Nosso pequenino pode ter sido gerado em violência, mas é um presente de Deus – um presente maravilhoso que preencheu um vazio em nossa família sem nunca antes termos percebido que ele estava lá. Ele nos completou.

Sou muito grata de ter me conectado a outras mães que conceberam como resultado de um estupro. Somos sobreviventes, não vítimas. Meu filho trouxe cura para a minha vida.

A pressão para o aborto que houve vindo da comunidade médica me abriu os olhos. Disseram-me muitas vezes que era muito simples e rápido e depois disso eu poderia voltar a viver. Era de tirar o fôlego ter que ouvir isso repetitivamente. Mesmo alguns amigos me disseram que ficar com o bebê era um erro e que eu nunca ria conseguir segurar a barra.


Todos as vezes que nós, mães que concebemos de um estupro, compartilhamos nossas histórias, somos fortalecidos como fortalecemos – e quem sabe o que nos espera na vida?


BIO : Jennifer Christie é uma esposa e mãe de 5 e um blogger para www.savethe1.com e Salve o 1 por cento -- os casos difíceis. Ela está usando seu nome do meio , em vez de seu sobrenome , a fim de proteger a identidade de sua família.


Tuesday, July 19, 2016

O Que Significa Fazer Aniversário, por Rebecca Kiessling

Hoje é meu aniversário. Não tenho vergonha de dizer minha idade, porque ela é muito relevante. Nasci dia 22 de julho de 1969, exatamente 10 meses antes de existir a data do primeiro julgamento de “Roe x Wade” e exatamente 3 ½  anos antes do aborto ser legalizado nos Estados Unidos.

Fui concebida quando minha mãe foi surpreendida com uma faca nas mãos de um estuprador em série. Ela foi a duas clínicas de aborto clandestinas, onde quase fui abortada.Esta foi uma experiência de vida transformadora - uma experiência quase de morte.

 A primeira vez  que nos encontramos eu tinha 19 anos e embora tenha ficado feliz em me ver, ela era a favor do aborto e  me disse claramente que se o aborto fosse legalizado,  teria me abortado, porque, ele deve ter sido a sua direita. Seis anos depois disso, mudou completamente de ideia em relação a esta ideia e hoje em dia, NÓS DUAS somos gratas por termos sido protegido do horror do aborto.

Muitas pessoas me dizem: “Que bom que sua mãe escolheu a vida” – mas ela não o fez. Ela optou pelo aborto. Os legisladores, ativistas e as pessoas que defendem a vida, são meus heróis. Devo minha vida às leis, porque elas me protegeram. N
ão tive sorte  - fui protegida – a lei significa muito.

Nos meados dos anos 60, houve uma forte corrente no país  em legalizar o aborto  em casos de estupro. Norma McCovey ((Jane Roe) mentiu, dizendo ter sido estuprada, com o objetivo de conseguir legalizar no Texas, porém sou de Michigan, onde nunca houve uma exceção na lei em relação ao aborto. Por causa disso tenho um aniversário para celebrar.

Sou muito abençoada por ter pessoas  que me dizem coisas maravilhosas quando conto minha história em viagem pelo mundo. Tenho este privilégio, enquanto muitos não escutam em sua rotina: “ Que legal saber que você nasceu!” Sou muito grata por estas palavras, porém creio que todos merecem ouvir o mesmo e valorizar este pensamento.

Toda vez que alguém compartilha sua história comigo,  quando vejo algum aniversário no Facebook ou quando alguém me diz que é seu aniversário, faço questão de dizer: “ Parabéns! Que legal 
saber que você nasceu!” Fico impressionada como isso os toca e muitos respondem: “Uau! Obrigada! Ninguém me disse isso antes.”

Precisamos criar o hábito de falar estas palavras aos outros. Existem muitos que sofrem com feridas de uma cultura do aborto, onde vivem com a mentira que sua vida não tem valor algum. Então, por favor, gaste um pouco de seu tempo dizendo a outros que você está feliz que eles nascerem.

Há dois anos, minha mãe biológica me ligou para desejar “feliz aniversário” e dizer que minha avó biológica havia morrido naquele mesmo dia. Eu nasci no aniversário de casamento dela e ela morreu no meu aniversário. Minha mãe e eu havíamos visitado minha avó a duas semanas antes daquele data. Consegui fazê-la sorrir e dar gargalhada quando cantei, “You Are My Sunshine” – (música americana - Você é Meu Raio de Sol). Entenda por favor, que Deus me deu o dom da FALA apenas, então não é difícil entender porque as pessoas riem quando canto.

Minha mãe e eu tivemos uma longa conversa “ de coração para coração”. Contei que havia chegado em Boston na noite anterior em visita aos meus sogros, mas que viajaria para me encontrar com ela. Quando estávamos quase desligando, ela me disse: “ Rebecca, Rebecca! Quero apenas dizer que estou muito feliz por ter tido você”! Aquele foi meu melhor presente de aniversário em toda minha vida!!!

Hoje de manhã escrevi este poema para compartilhar no Facebook e quero fazê-lo aqui também:

Hoje é o dia de meu nascimento!
Poderia ter sido arrancada do ventre de minha mãe,
Seu corpo, meu túmulo.
Porém, nasci porque outros viram meu valor
Fui protegida em vez de destruída
Hoje posso celebrar
Em vez de odiar
O estuprador
E o abortista.
Então, quando você diz, “ Parabéns”
Preste atenção
À sua menção
Ao porquè  de minha existência.
Enquanto outros são assassinados,
Deveriam ser cuidados.”

Rebecca Kiessling  é um advogado, fundadora e presidente de uma organização global pró-vida -- "Save The 1" -- Salve o 1 por cento - os casos difíceis, concebida em estrupro.


Traduzido por Rose Santiago
CERVI, Centro de Reestruturação Para a Vida – Sâo Paulo, Brasil



Monday, December 21, 2015

Exceto Nos Caso de Estupro? A história de Rebecca Kiessling

A história de Rebecca Kiessling
Eu fui adotada assim que nasci. Aos 18 anos soube que fui concebida a partir de um estupro brutal sob ameaça de faca por um estuprador em série. Assim como a maior parte das pessoas, eu nunca pensei que o assunto aborto estivesse relacionado à minha vida, mas assim que recebi esta notícia percebi que não só está relacionado à minha vida, mas está ligado à minha própria existência. Era como se eu pudesse ouvir os ecos de todas as pessoas que, da forma mais simpática possível, dizem: “Bem, exceto nos caso de estupro…” ou que dizem com veemência e repulsa: “Especialmente nos casos de estupro!!!”. Existem muitas pessoas assim por aí. Elas sequer me conhecem, mas julgam a minha vida e tão prontamente a descartam só pela forma como fui concebida. Eu senti como se a partir daquele momento tivesse que justificar minha própria existência, tivesse que provar ao mundo que não deveria ter sido abortada e que eu era digna de viver. Também me lembro de me sentir como lixo por causa das pessoas que diziam que minha vida era um lixo, que eu era descartável.
Por favor, entenda que quando você se declara “a favor da livre escolha” ou quando abre a exceção para o estupro, o que isso realmente significa é que você pode olhar nos meus olhos e me dizer “eu acho que sua mãe deveria ter tido a opção de abortar você”. Esta é uma afirmação muito forte. Jamais diria a alguém: “Se eu tivesse tido a chance, você estaria morta agora”. Mas essa é a realidade com a qual eu vivo. Desafio qualquer um a dizer que não é. Não é como se as pessoas dissessem: “Bom, eu sou a favor da livre escolha, menos naquela pequena fresta de oportunidade em 1968/69, para que você, Rebecca, pudesse ter nascido”. Não. Esta é a realidade mais cruel desse tipo de opinião e eu posso afirmar que isso machuca e que é uma maldade. Mas sei que muita gente não quer se comprometer sobre esse assunto. Para eles, é apenas um conceito, um clichê que eles varrem para debaixo do tapete e esquecem. Eu realmente espero que, como filha de um estupro, eu possa ajudar a dar um rosto e uma voz a esta questão.
Diversas vezes me deparei com pessoas que me confrontaram e tentaram se desvencilhar dizendo coisas do tipo: “Bem, você teve sorte!”. Tenha certeza de que minha sobrevivência não tem nada a ver com sorte. O fato de eu estar viva hoje tem a ver com as escolhas feitas pela nossa sociedade: pessoas que lutaram para que o aborto fosse ilegal em Michigan naquela época – mesmo em casos de estupro -, pessoas que brigaram para proteger a minha vida e pessoas que votaram a favor da vida. Eu não tive sorte. Fui protegida. E vocês realmente acham que nossos irmãos e irmãs que estão sendo
abortados todos os dias simplesmente são “azarados”?
Apesar de minha mãe biológica ter ficado feliz em me conhecer, ela me contou que foi a duas clínicas de aborto clandestinas e que eu quase fui abortada. Depois do estupro, a polícia indicou um conselheiro que simplesmente disse a ela que a melhor opção era abortar. Minha mãe biológica disse que naquela época não havia centros de apoio a grávidas em risco, mas me garantiu que, se houvesse, ela teria ido até lá pelo menos para receber um pouco mais de orientação. O conselheiro foi quem estabeleceu o contato entre ela e os aborteiros clandestinos. Ela disse que a clínica tinha a típica aparência de fundo de quintal, como a gente escuta por aí, e lá “ela poderia ter me abortado de forma segura e legal”: sangue e sujeira na mesa e por todo o chão. Essas condições precárias e o fato de ser ilegal levaram-na a recuar, como acontece com a maioria das mulheres.
Depois ela entrou em contato com um aborteiro mais caro. Desta vez, se encontraria com alguém à noite no Instituto de Arte de Detroit. Alguém iria se aproximar dela, dizer seu nome, vendá-la, colocá-la no banco de trás de um carro, levá-la e então me abortar… Depois vendá-la novamente e levá-la de volta. E sabe o que eu acho mais lamentável? É que eu sei que existe um monte de gente por aí que me ouviria contar esses detalhes e que responderia com uma balançada de cabeça em desaprovação: “Seria terrível que sua mãe biológica tivesse tido que passar por tudo isso para conseguir abortar você!”. Isso é compaixão?!!! Eu entendo que eles pensem que estão sendo compassivos, mas para mim parece muita frieza de coração, não acha? É sobre a minha vida que eles estão falando de forma tão indiferente e não há nada de compaixão neste tipo de opinião. Minha mãe biológica está bem, a vida dela continuou e ela está se saindo muito bem, mas eu teria morrido e minha vida estaria acabada. A minha aparência não é a mesma de quando eu tinha quatro anos de idade ou quatro dias de vida, ainda no útero da minha mãe, mas ainda assim era inegavelmente eu e eu teria sido morta em um aborto brutal.
De acordo com a pesquisa do Dr. David Reardon, diretor do Instituto Elliot, co-editor do livro Vítimas e vitimados: falando sobre gravidez, aborto e crianças frutos de agressões sexuais, e autor do artigo “Estupro, incesto e aborto: olhando além dos mitos”, a maioria das mulheres que engravidam após uma
agressão sexual não querem abortar e de fato ficam em pior estado depois de um aborto. http://www.afterabortion.org.
Sendo assim, a opinião da maioria das pessoas sobre aborto em casos de estupro é fundamentada em falsas premissas:
1) a vítima de estupro quer abortar;
2) ela vai se sentir melhor
depois do aborto; e
3) a vida daquela criança não vale o trabalho que dá para suportar uma gravidez.
Eu espero que a minha história e as outras postadas neste site ajudem a acabar com este último mito.
Eu queria poder dizer que minha mãe biológica não queria me abortar, mas de fato ela foi convencida a não fazê-lo. Porém, o aspecto nojento e o palavreado sujo deste segundo aborteiro clandestino, além do receio por sua própria segurança, levaram-na a recuar. Quando ela lhe contou por telefone que não estava interessada neste acordo arriscado, este homem a insultou e a xingou. Para sua surpresa, ele ligou novamente no dia seguinte para tentar convencê-la a me abortar, e mais uma vez ela não quis prosseguir com o plano e ouviu mais uma série de insultos. Depois disso, ela simplesmente não podia mais prosseguir com essa idéia. Minha mãe biológica já estava entrando no segundo trimestre da gestação, quando seria muito mais perigoso e muito mais caro me abortar.
Sou muito grata por minha vida ter sido poupada, mas muitos cristãos bem intencionados me diziam coisas como “olha, Deus realmente quis que você nascesse!” e outros podem dizer “era mesmo pra você estar aqui”. Mas eu sei que Deus quer que toda criança tenha a mesma oportunidade de nascer e não posso me conformar e simplesmente dizer “bem, pelo menos a minha vida foi poupada”. Ou “eu mereci, veja o que eu fiz com a minha vida”. E as outras milhões de crianças não mereciam? Eu não consigo fazer isso. Você consegue? Você consegue simplesmente ficar aí e dizer “pelo menos eu fui desejado… pelo menos estou vivo…” ou simplesmente “sei lá”? Esse é realmente o tipo de pessoa que você quer ser? De coração frio? Uma aparência de compaixão por fora e coração de pedra e vazio por dentro? Você diz que se importa com os direitos das mulheres, mas não está nem aí pra mim porque eu sou um lembrete de algo que você prefere não encarar e que você detesta que outros se importem? Eu não me encaixo na sua agenda?
Na faculdade de direito eu tinha colegas que me diziam coisas como “se você tivesse sido abortada, não estaria aqui hoje e de qualquer forma não saberia a diferença, então por que se importa?”. Acredite ou não, alguns dos principais filósofos pró-aborto usam esse mesmo tipo de argumento: “O feto não sabe o que o atingiu, então não percebe que perdeu a vida”. Sendo assim, acho que se você esfaquear alguém pelas costas enquanto ele estiver dormindo, tudo bem, porque ele não sabe o que o atingiu?! Eu explicava aos meus colegas como a mesma lógica deles justificaria que eu “matasse você hoje, porque você não estaria aqui amanhã e não saberia a diferença de qualquer forma. Então, por que se importa?”. E eles ficavam com o queixo caído. É incrível o que um pouco de lógica pode fazer, quando você pára para pensar – que é o que devemos fazer numa faculdade de direito – e considera o que nós realmente estamos falando: há vidas que não estão aqui hoje porque foram abortadas. É como o velho ditado: “Se uma árvore cai na floresta e não há ninguém por perto para ouvir, será que faz barulho?”. Bem, sim! E se um bebê é abortado e ninguém fica sabendo, tem importância? A resposta é SIM! A vida dele importa. A minha vida importa. A sua vida importa e não deixe ninguém te dizer o contrário!
O mundo é um lugar diferente porque naquela época era ilegal a minha mãe me abortar. A sua vida é diferente porque ela não pôde me abortar legalmente e porque você está sentado aqui lendo as minhas palavras hoje! Mas você não tem que atrair platéias pra que a sua vida tenha importância. Há coisas que fazem falta a todos nós aqui hoje por causa das gerações que foram abortadas e isso importa.
Umas das melhores coisas que eu aprendi é que o estuprador NÃO é meu criador, como algumas pessoas queriam que eu acreditasse. Meu valor e identidade não são determinados por eu ser o “resultado de um estupro”, mas por ser uma filha de Deus. O Salmo 68, 5-6 declara: “Pai dos órfãos… no seu templo santo Deus habita. Dá o Senhor um lar ao sem-família”. E o Salmo 27, 10 nos diz: “Mesmo se pai e mãe me abandonassem, o Senhor me acolheria”. Eu sei que não há nenhum estigma em ser adotado. O Novo Testamento nos diz que é no espírito de adoção que nós somos chamados a ser filhos de Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Sendo assim, Ele deve ter pensado na adoção como símbolo do amor dEle por nós!
E o mais importante é que eu aprendi, poderei ensinar aos meus filhos e ensino aos outros que o seu valor não é medido pelas circunstâncias da sua concepção, seus pais, seus irmãos, seu parceiro, sua casa, suas roupas, sua aparência, seu QI, suas notas, seus índices, seu dinheiro, sua profissão, seus sucessos e fracassos ou pelas suas habilidades ou dificuldades. Essas são as mentiras que são perpetuadas na sociedade. De fato, muitos palestrantes motivacionais falam para suas platéias que se elas fizerem algo importante e atingirem certos padrões sociais, então elas também poderão “ser alguém”.

Mas o fato é que ninguém conseguiria atingir todos esses padrões ridículos e muitas pessoas falhariam. Isso significa que elas não são “alguém” ou que elas são “ninguém”? A verdade é que você não tem que provar o seu valor a ninguém e se você quiser realmente saber qual é o seu valor, tudo o que precisa fazer é olhar para a Cruz, pois este é o preço que foi pago pela sua vida! Esse é o valor infinito que Deus colocou na sua vida! Para Ele você vale muito e para mim também. Que tal se juntar a mim para também proclamar o valor dos outros com palavras e ações?
Para aqueles que dizem “bem, eu não acredito em Deus e não acredito na Bíblia, então sou a favor da livre escolha de abortar ou não”, por favor, leia meu artigo “O direito da criança de não ser injustamente morta – uma abordagem da filosofia do direito”. Eu garanto que valerá o seu tempo.
Pela vida,
Rebecca Kiessling, Presidente da Salva O 1
www.savethe1.com